quarta-feira, 18 de maio de 2011

O tempo profético: mil duzentos e sessenta dias. O que significa?

Diversas vezes na Bíblia, quando se trata de profecias para o tempo do fim, os profetas mencionam um tempo em que o povo de Deus seria perseguido e oprimido. Com designações diferentes, os profetas referem-se a esse período como:


  1. Mil duzentos e sessenta dias: Ap 11:3,12:6
  2. Tempos, tempo e metade de tempo: Dn 7:25,12:7 e Ap 12:14
  3. Quarenta e dois meses: Ap 11:2,13:5

Devido a interligação das profecias de Daniel e de Apocalipse, afora algumas menções desprovidas de localização cronológicas (ex.: Dn 12:7) é bem claro que em todas ou praticamente todas as citações, este período represente a mesma época na história da humanidade.

Tempos, tempo e metade de tempo

É preciso entender que este período profético não se refere a um tempo indeterminado como alguns pensam. Quando Daniel refere-se a "tempo" ele certamente está tratando de um ano. Veja o que o próprio Daniel nos fala a respeito disso:

Porque o rei do Norte tornará, e porá em campo multidão maior do que a primeira, e, ao cabo de tempos, isto é, de anos, virá à pressa com grande exército e abundantes provisões. (Daniel 11:13 - JFA Revista e Atualizada*)

*Usei a versão JFA Revista e Atualizada e não a tradução NVI (padrão deste blog) pois a mesma não permitiria tirar tais conclusão, devido a sua tradução omitir a palavra "tempos".

Ora, se Daniel menciona tempo(1), tempos(2) e metade de tempo está claro que ele se refere a três anos e meio.

Nota: estes escritos davam-se no calendário judaico, cujo ano tinha 360 dias. Assim, um mês equivale a trinta dias.

Quarenta e dois meses

Se, como vimos, um mês judaico tem trinta dias, quarenta e dois meses são, evidentemente mil duzentos e sessenta dias, ou trinta e seis meses (três anos inteiros) mais seis meses (meio ano), o que novamente resulta em três anos e meio.

Os mil duzentos e sessenta dias proféticos

Os dias, em profecia, devem ser contados como ano, devido a própria equivalência bíblica. Vejamos o que nos diz alguns textos:

“Terminado esse prazo, deite-se sobre o seu lado direito, e carregue a iniqüidade da nação de Judá, durante quarenta dias, tempo que eu determinei para você, um dia para cada ano. Olhe para o cerco de Jerusalém e, com braço desnudo, profetize contra ela. (Ezequiel 4:6-7)

Durante quarenta anos vocês sofrerão a conseqüência dos seus pecados e experimentarão a minha rejeição; cada ano corresponderá a cada um dos quarenta dias em que vocês observaram a terra. (Números 14:34)

Perceba que estamos usando o princípio de usar a Bíblia para explicá-la, nada mais.

Se mil duzentos e sessentas dias correspondem profeticamente a 1260 anos, temos então que achar na história o período de perseguição e opressão correspondente a esses mil duzentos e sessenta anos.

Como a profecia não falha, pois é inspirada pelo Deus Altíssimo mediante seu Espírito Santo, vamos agora ver que este período começa em 538 d.C e termina em 1798 d.C.

Um tempo de perseguição...

Na comparação do artigo As Profecias de Daniel - Parte IV com o artigo As Duas Bestas - Parte I podemos enxergar uma equivalência profética entre os poderes descritos em Daniel 7 (o chifre insolente) e Apocalipse 13 (a besta que sobe do mar).

O chifre insolente (a besta), como se vê no artigo referido, age como uma extensão do poderio romano, portanto, age depois da queda de Roma (476 d.C).

Vimos também no artigo Quatro cavaleiros estranhos... que depois do primeiro século os líderes da Igreja Cristã começaram gradativamente a se corromper política e espiritualmente com doutrinas estranhas e práticas erradas, trazendo o paganismo romano para dentro da Igreja.

Após o ano de 476 d.C (queda do Império Romano Ocidental) a Igreja corrompida, com seu líder que começara a atribuir a si prerrogativas divina, começou a assumir o controle político da Europa. Pouco a pouco, o remanescente fiel à doutrina pura pregada por Cristo e seus Apóstolos foi ficando quase que inexistente.

Uma era de trevas surge então. O Bispo de Roma, sede política do Império, começa a adquirir autoridade e respeito de outras Igrejas. O título de soberano da Igreja, o de Papa, começa a ser usado a partir do século IV. Mas quando começa oficialmente o poder do Papado, o poder da Igreja Católica1, para que possamos contar os mil duzentos e sessenta anos?

Devemos ver na história quando, oficialmente, a Igreja de Roma e seu Bispo foram colocados incontestavelmente como cabeça de todas as demais igrejas. Esta data, se formos pesquisar na história mundial, é 533 d.C. Neste ano, o Imperador Bizantino, Justiniano I, o Grande, declarou em um édito de cunho religioso que o Bispo de Roma teria supremacia sobre todas as demais congregações cristãs, além de passar a possuir poder temporal (poder político sobre as nações). Esse decreto, entretanto, só passou a vigorar efetivamente no ano de 538 d.C. Eis aí então o início do nosso período profético. Como tratamos de mil duzentos e sessenta anos, algo deveria acontecer no ano de 1798 da era Cristã para tirar o poder temporal da besta ou do chifre pequeno. E de fato aconteceu. A Wikipédia versão em inglês tem um ótimo artigo2 sobre o Papa Pio VI com dois parágrafos reveladores (que traduzi e postei no correspondente em português do artigo). Veja o original:

"In 1796 French Republican troops under the command of Napoleon Bonaparte invaded Italy, defeated the papal troops and occupied Ancona and Loreto. Pius VI sued for peace, which was granted at Tolentino on 19 February, 1797; but on 28 December of that year, in a riot blamed by papal forces on some Italian and French revolutionists, the popular brigadier-general Mathurin-Léonard Duphot, who had gone to Rome with Joseph Bonaparte as part of the French embassy, was killed and a new pretext was furnished for invasion. General Berthier marched to Rome, entered it unopposed on 10 February, 1798, and, proclaiming a Roman Republic, demanded of the Pope the renunciation of his temporal authority.

Upon his refusal he was taken prisoner, and on February 20 was escorted from the Vatican to Siena, and thence to the Certosa near Florence. The French declaration of war against Tuscany led to his removal (he was escorted by the Spaniard Pedro Gómez Labrador, Marquis of Labrador) by way of Parma, Piacenza, Turin and Grenoble to the citadel of Valence, the chief town of Drôme where he died six weeks after his arrival, on 29 August, 1799, having then reigned longer than any Pope."

A tradução, de minha autoria:

"Em 1796, tropas da República Francesa sob comando de Napoleão Bonaparte invadiram a Itália, derrotaram o exército papal e ocuparam Ancona e Loreto. Pio VI pediu a paz, que foi concedida em Toletino em 19 de fevereiro de 1797; mas em 28 de dezembro do mesmo ano, em um motim realizado pelas forças papais contra alguns revolucionários italianos e franceses, o popular brigadeiro-general Mathurin-Léonard Duphot, que havia ido a Roma com José Bonaparte como parte da embaixada francesa, foi morto, surgindo assim um novo pretexto para invasão. Então, o General Berthier marchou para Roma sem oposição em 10 de fevereiro de 1798 e proclamou a República Romana, exigindo do Papa a renúncia de seus poderes temporais.

Como recusou, o Papa foi feito prisioneiro, e em 20 de fevereiro foi escoltado do Vaticano para Siena, e de lá para Certosa, cidade próxima a Florença. A declaração francesa de guerra contra Toscano levou a remoção do líder da igreja (ele foi escoltado pelo espanhol Pedro Gómez Labrador, o Marques de Labrador) pelo caminho de Parma, Piacenza, Turin e Grenoble para a cidadela de Valença onde ele morreu seis meses depois de sua chegada, em 29 de agosto de 1799."

Como podemos ver, a perseguição feroz da besta contra os que não aceitavam sua autoridade termina em 1798 com a forte queda que ela enfrenta, devido a perda momentânea (Ap 13:3) de seus poderes temporais e de seu reino.

Por fim, eis abaixo um quadro relatando os acontecimentos proféticos deste período:

Base bíblicaAcontecimentos
Ele falará contra o Altíssimo, oprimirá os seus santos e tentará mudar os tempos e as leis. Os santos serão entregues nas mãos dele por um tempo, tempos e meio tempo. (Daniel 7:25)Período de ação do chifre insolente (a besta que sobe do mar). Nesse período ele persegue aqueles que não aceitam sua autoridade e negam sua doutrina, preferindo seguir a Bíblia e não a ele.
Darei poder às minhas duas testemunhas, e elas profetizarão durante mil duzentos e sessenta dias, vestidas de pano de saco”. (Apocalipse 11:3)As testemunhas mártires3 profetizam e clamam pela Verdade em meio às falsas doutrinas pregadas durante este período.
A mulher fugiu para o deserto, para um lugar que lhe havia sido preparado por Deus, para que ali a sustentassem durante mil duzentos e sessenta dias. (Apocalipse 12:6)

Foram dadas à mulher as duas asas da grande águia, para que ela pudesse voar para o lugar que lhe havia sido preparado no deserto, onde seria sustentada durante um tempo, tempos e meio tempo, fora do alcance da serpente. (Apocalipse 12:14)
A Igreja de Cristo, o remanescente fiel, é sustentado durante este período. São os que a besta persegue ferozmente.
À besta foi dada uma boca para falar palavras arrogantes e blasfemas, e lhe foi dada autoridade para agir durante quarenta e dois meses. (Apocalipse 13:5)Como vimos, a autoridade de ação feroz da besta (o chifre insolente) está neste período.
Ouvi o homem vestido de linho, que estava sobre as águas do rio, quando levantou a mão direita e a esquerda ao céu e jurou, por aquele que vive eternamente, que isso seria depois de um tempo, dois tempos e metade de um tempo. E, quando se acabar a destruição do poder do povo santo, estas coisas todas se cumprirão. (Daniel 12:7 - JFA Revista e Atualizada)Depois desse período, é que se seguiria a vinda do Anticristo e a volta do Senhor.

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1 Ver artigos As Duas Bestas - Parte I e As Profecias de Daniel - Parte IV.
2 Pope Pius VI - Wikipedia, The Free Encyclopedia. Disponível aqui. Acesso em de 04 de Março de 2010. Correspondente da versão brasileira aqui.
3 Ver artigo As Duas Testemunhas - Quem são e o que representam?

2 comentários:

  1. Para alguém que pretende ser sério, simplesmente provou uma ignorância teológica, uma manipulação conveniente da história e da Bíblia. Converta-se meu caro e pare de espalhar interpretações equivocadas da Bíblia para os outros a partir de uma instrumentalização da mesma forçando-a a dizer o que você quer que ela diga.

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  2. Se quiser podemos ter um embate teológico para que você e seu séquito oriundos da divisão de Lutero possam compreender a verdade e se libertar da cegueira que o diabo pôs em vocês contra a Igreja de Cristo. Fico à disposição.

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